Lições bem além das quatro linhas do gramado

Buenos Aires recebeu hoje os jogadores de futebol campeões do mundo, na Copa de 2022. Milhares de pessoas comemorando a conquista épica aplaudem seus heróis em pleno feriado nacional devidamente concedido para essa finalidade. Por um instante, estabelece-se um parêntesis nas graves dificuldades enfrentadas pelo país neste momento pós pandemia, o que reflete – dentre vários outros pontos – mais uma das lições que nossos vizinhos deram ao mundo com a conquista do título.

Na raiz axiológica da crise experimentada por todo mundo, por óbvio, reflete-se a proporcionalidade da escolha feita nos tempos mais severos da pandemia da Covid-19. As dúvidas eram a maior certeza que perturbavam as mentes inquietas dos gestores públicos de todo o mundo, sempre em busca de um equilíbrio possível entre preservar vidas e preservar a Economia. Naturalmente, as nações que pesaram seu pêndulo em favor da vida experimentam uma recuperação econômica mais lenta do que aquelas que não se preocuparam ou poucos cuidados tomaram para proteger seus cidadãos. E essa premissa pode ser observada de forma indiscriminada entre países centrais e periféricos. A Argentina, para quem não sabe, mesmo tendo várias mortes em seu território, adotou um rígido protocolo sanitário, em privilégio às pessoas em detrimento do capital.

Na seleção argentina, dirigida por um técnico que faz jus à tradução inglesa coach de sua função, portou-se como um grande líder de uma equipe de natureza heterogênea, mas coesa enquanto time. Embora eu não entenda de futebol, foi unânime entre os comentaristas especializados sobre os movimentos táticos personalizados e específicos jogo a jogo da celeste em sua escalada rumo ao título. Considero como ápice a manobra de alterar a originalidade de escalação divulgada – valendo-se da genialidade do veterano Di María – para confundir o técnico francês.

E por falar em Di María, este nos deu um exemplo incrível de respeito à oportunidade de defender seu país em uma competição daquele quilate. Mesmo com toda a sua experiência e prestígio internacional, emocionou-se diversas vezes dentro de campo. Na mesma linha, o grande sucessor de Maradona provou ao mundo que um grande craque não se constrói nas redes sociais, ou no mercado publicitário. Aliás, o movimento deve ser inverso, tendo o gramado como ponto de partida. A evasão das linhas do campo deve estar em plano secundário, com toda certeza. Afinal, se os jogadores são artistas – e sinceramente penso que o são – sua arte deve estrelar no seu verdadeiro palco: o campo de futebol. E, nessa arena, Messi é simplesmente genial. Fora dela, com o Cristo tatuado no braço, ensina o valor da família pelas suas atitudes.  Termina a competição, fica ao mundo a grande lição dos campeões. Bom futebol, respeito adversários, objetividade liderança. O país que respeitou a vida dos seus cidadãos mostrou que os verdadeiros craques são os que dominam o gramado; que “amor à camisa” não é coisa do passado e que o ouro que foram buscar no Catar é o que hoje estampam na medalha que vestem no peito.   

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